Se tu quiseres hei de querer também,
Submeter-me-ei a seus termos passionais.
Farei tudo o que lhe convém,
Como vem comover, como vais…

Ser a vela em meus castiçais,
Será vela quando navegais,
Dentre as algas dos corais.

Se tu quiseres serei hélice quando voares,
Serei asas enquanto planares,
Sereia minha, água em meu aquário,
Sobre os planaltos elevados,
Receptor e emissário.

Serei Lince rasgando a neve,
No extremo do hemisfério.
Serás Alícia e serei seu coelho,
Guiando-a no chamariz das maravilhas.

Leve a sério, minha querida,
Imperatriz entre as orquídeas,
Duas passagens pras Antilhas,
Só de ida. Nossa ida.

Se tu quiseres sacrificarei
Meus compromissos,
Quando me chamarem serei omisso,
Somente a você responderei.

Corresponderei a qualquer gesto.
Ao piscar os cílios tu me resgata.
Farei campana, armarei protesto,
Escalando seu quarto,
Encenando a serenata.

Ansearei na enseada avistar-te,
Dia, noite e madrugada,
Até despontar-te.

Voando baixo, flutuando alto,
Fluindo no fluxo fático,
Fatídico e provável,
Verídico enganável.

Se tu quiseres serei diálogo
Em seus quadrinhos.
Um quadro moldurado,
Descanso pros quadris,
Degraus em sua escada;
Padrinho, noivo e juiz.

Tantas palavras difíceis
Foram com muita dificuldade,
Alinhadas em pé de igualdade,
Com a única finalidade de dizeres:

- Ainda que não me queira,
Farei tudo o que quiseres !
Contanto que me permita
A condição de verdes;

Verdes como as árvores,
Verdes como a esperança,
Plantada na lembrança
E cultivada a fim de brotar.
Se tu quiseres hei de querer também,
Há de vir o que advém !

(Compositor: Michel F.M.)  ©

Transbordo de misantropia,
Na devastada vizinhança,
Está batida a freguesia,
Remanescentes da bonança.

Onde está a cura ?
Pro abatimento e pro murmúrio.
Influencia ou perdura ?
Uma tempestade em mercúrio.

Existe o que sempre existiu,
Um parto trágico e impreciso,
Temporadas no calabouço febril,
Equilibrando na ala do improviso.

Onde está a cura ?
Pro abatimento e pro murmúrio.
Influencia ou perdura ?
Uma tempestade em mercúrio.

Saquei meu guarda-raios,
Prevenindo o perjúrio,
Na truculência desmaio,
Despertando em mercúrio.

(Compositor: Michel F.M.) ©

Venho de um lugar grotesco,
Onde acreditam que a única forma
De viver feliz para sempre
É ser infeliz enquanto viver.

E que só seremos mais,
Se formos o menos possível.

Mas esta é uma teoria
Para pessoas inteligentes
E compreensivas,

Eu sou intolerante e obtuso.
Resumindo a Historieta
Do Nauseabundo Asqueroso
(torpe infame repelente,
abjeto sórdido e ignóbil).

(Compositor: Michel F.M.) ©

A censura obvia deu espaço,
A loucura camuflada.
As calunias a um passo,
Da revolta desarmada,
Mas protesto passivo não leva a nada.

Território Camuflado,
Ser honesto é pecado,
Ser humano camuflado,
Desumano, desamparado.

Pregar bondade é errado,
Errar é excitante.
A pronúncia certa é pecado,
Pecar não é o bastante,
Mas esse fardo é constante.

Nosso dialeto,
Do Norte ao Sul é analfabeto,
Não por vontade,
Por livre e espontânea obrigatoriedade.

Nesse desafeto,
Vemos tortura ultrapassando o teto.
É triste dizer,
Que a opressão vem de mim e de você.

Território Camuflado,
Ser honesto é pecado,
Ser humano camuflado,
Desumano, desamparado.

(Compositor: Michel F.M.) ©

Houve quando fui pupilo,
Compassivo e inofensivo,
Em afazeres in-tranquilos.

Me mantive apreensivo,
Fui purgado, fui punido,
Apedrejado e comovido.

Em meu cerne fui falido,
Arruinado e ofendido,
Derrubado e impelido.

Entre todos os ardores,
Entre tantos desamores,
Afrontei-os sem tremer.

Ao toque dos tambores,
Na toca dos temores,
Não há o que temer.

No infalível arremate,
Arruinei o estandarte,
Fiz poeira dos czares.

Não tomei conhecimento,
De estorvo ou empecilho,
Que pudesse me deter.

Dos temores fui o filho,
Fui gerado, fui parido,
Renascido ao me reger.

Entre todos os ardores,
Entre tantos desamores,
Afrontei-os sem tremer.

Ao toque dos tambores,
Na toca dos temores,
Não há o que temer.

(Compositor: Michel F.M.) ©

 

Algumas situações são inexplicáveis, outras situações simplesmente não precisam de explicação, ela não precisava, eu precisava dela.

Aquele lugar inteiro estava em uma imundice só, uma baderna infernal; lixo, sujeira, pilhas de tranqueiras trancando a passagem, um piso encardido, ambientes encardidos, móveis encardidos.

Ela acordou depois das 10h, deveria ter saído às 9h30; uma cara amassada pelo sono profundo da madrugada, um rosto belíssimo. dizer que vê-la naquele estado matinal era encantador seria pouco, vestindo um pijama completamente esgarceado, desbotado e terrivelmente sensual, ela era toda errada e comum.

Na maioria absoluta das vezes dispensava qualquer formalidade e etiqueta, era anti-etiquetas, fossem sociais ou em vestimentas informais, era informada, era formada e briguenta.

Seu relaxo era charme, a negligência consigo mesma, forjava sua singularidade. empurrou o portão, saiu. na rua, na realidade mundana, era o centro, o centro de convergência, centralizava a atração.

Os homens mais velhos pérvidos, em suas mentes podres tinham fantasias nojentas, instantaneamente, enquanto ela cruzava de uma ponta a outra das esquinas.

Os garotos jovens, alimentavam sonhos inocentes (ou nem tanto), a respeito de terem consigo uma garota como aquela, marcando presença, imponência onde estivesse.

As mulheres mais velhas, recordavam a juventude de quando foram atraentes; outras que nunca foram atraentes, recordavam quando quiseram ter sido.

As mais novas odiavam-na, por seu desleixo, que ainda assim e talvez graças a isso, hipnotizava os machos civilizados, queriam matá-la e o faziam em suas mentes invejosas, queriam ser ela.

As bem novinhas, ficavam maravilhadas vendo-a, não a comparavam com um conto de fadas, pois princesas não eram largadas daquele jeito, mas neste instante percebiam que não precisavam, nem precisariam pertencer ao reino da fantasia, notavam que também poderiam ser normais, indo de encontro ao desconhecido nível da tosca beleza.

E sem nenhum atributo aparentemente amável, chamariam de uma forma ou de outra a incansável e disputada atenção.

(Autor: Michel F.M.) ©

Trabalhadores sem emprego,
São trabalhadores sem sossego,
Buscando em lugares diferentes,
Procurando um salário descente.

Carteira assinada, não é nada, é fachada.
Não se engane com o sistema,
Sem salário é que quebra o esquema.

Trabalhadores sem emprego,
São trabalhadores sem sossego.

Honrado e sem medo,
Na esperança de algo melhor,
Esforçado acorda cedo,
E mesmo assim não rende o suor.

Na busca por sustento,
O mundo moderno se torna um tormento.
Os trabalhadores, só querem trabalhar.

Trabalhadores sem emprego,
São trabalhadores sem sossego.

Famílias inteiras desamparadas,
O povo está sempre de mãos atadas,
Deixados de lado para mofar,
O trabalhador só quer trabalhar.

Trabalhadores sem emprego,
São trabalhadores sem sossego.

(Compositor: Michel F.M.) ©